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Presentes amargos à Brigada Militar

No aniversário de 182 anos da BM, os presentes recebidos por parte do Governo são amargos: vivemos na iminência de perder direitos duramente conquistados nestes quase dois séculos de trabalho aos gaúchos. Mesmo hoje, com salários atrasados, com a insegurança jurídica das carreiras e o risco da imposição de alíquotas de previdência superiores ao previsto, nossos heróis continuam peleando dia após dia na busca da justiça, da democracia e da preservação da ordem pública.


Não somos privilegiados! Falta empatia no olhar das pessoas, pois ao se colocarem no lugar de alguém fardado, talvez entendessem que não somos melhores, mas muito diferentes. Constituímos a última linha que mantém costurado o tecido social, indo ao encontro do perigo enquanto todos dele fogem.


Como ter condição salarial ou de aposentadoria comuns, se nenhum serviço, por mais importante que seja, se compara à entrega do que se tem de mais caro: a vida. Quantos aceitariam os riscos de passar um dia como Policial?


Nos anos 80, o número de Brigadianos era cerca de 33.000, com uma população em torno de 7 milhões e meio de habitantes distribuídos em 332 municípios no RS. Agora são 497 municípios, 11 milhões de habitantes e somente 17.000 PMs. Para qualquer leigo, a conta não fecha pois tudo aumentou em números, menos o nosso contingente, fazendo com que tenhamos mais integrantes na reserva remunerada do que na ativa. Essa anomalia decorre de uma irresponsabilidade histórica dos Governos que se sucederam sem prever o completamento dos quadros da Corporação. Está na hora de repor o efetivo! Chamar os concursados aprovados que aguardam ansiosos o início de suas carreiras.


Outro dado: o índice mais alto de suicídio dentre as Polícias do Brasil é do nosso Estado. Triste realidade, resultante de tantos revezes físicos e psicológicos, somados às pressões legais e aos constates ataques por parte de alguns segmentos.


Em uma sinistra freqüência, irmãos de farda são mortos em confrontos com criminosos. Desta vez, perdemos a soldado Marciele. Alguns diriam que ela pertencia a uma classe de privilegiados, outros, que a sua Instituição não precisava existir. Para nós, ela era mulher, negra, tinha R$ 700,00 de salário depositado em sua conta e amava sua profissão.

Morreu com o privilégio de carregar no braço o brasão do Estado do RS, no peito o símbolo da Brigada Militar e no ideal a segurança para todos.


*Artigo publicado no Jornal do Comércio, em 29 de novembro de 2019.

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