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Opinião: Chegou a nossa vez

Caberá aos que menos sofreram danos financeiros durante a pandemia criar maneiras de amparar aqueles que já tinham pouco e tudo perderam.


Publicado originalmente em GaúchaZH.com em 29/05/2020


A pandemia da covid-19 vem ampliando exponencialmente os problemas já existentes em todo o mundo, como a nossa relação com o meio ambiente. No Brasil, depois de vencida a dura guerra contra o coronavírus, teremos que enfrentar desafios tão grandes ou até maiores do que a pandemia: o problema do desemprego, da miséria e da falta de segurança.


Ainda não há vacina ou remédio para esse vírus que não seja a mudança de percepção da humanidade: o "eu" deve dar lugar ao "nós".

Essas são mazelas cuja vacina não se consegue vislumbrar em um horizonte a curto prazo. Até que a máquina da economia volte a funcionar plenamente, teremos que encontrar maneiras de proteger as famílias da fome, para que o crime não acabe sendo uma saída fácil, principalmente para os jovens.


Enquanto a crise sanitária está sob a responsabilidade da área da medicina, os consequentes problemas sociais e de segurança serão compromissos de todos – gestores, políticos, cidadãos. Os índices de feminicídio, os quais praticamente dobraram neste período em comparação ao mesmo do ano anterior, já antecipam o quadro de agravamento da segurança em todas as suas dimensões.


Caberá aos que menos sofreram danos financeiros durante este confronto invisível criarem maneiras de amparar aqueles que já tinham pouco e tudo perderam. Esse será o maior desafio dos próximos meses e anos: conseguir vencer a batalha para que a guerra não desemboque em uma tragédia ainda maior. No momento em que a já frágil segurança pública for atingida, todos perderão, independentemente da classe social.


O novo normal deverá chegar à consciência de que se não houver uma ação conjunta da sociedade e dos poderes, a pandemia deixará um rastro de pobreza e insegurança que levará décadas para ser revertido. Ainda não há vacina ou remédio para esse vírus que não seja a mudança de percepção da humanidade: o "eu" deve dar lugar ao "nós".

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