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  • blogcomandantenadia

Cadê você, mulher?

Muito se fala sobre o empoderamento feminino. Proliferam debates sobre a necessidade de uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, sobretudo na liderança de equipes e nos cargos de chefia. Nos dias de hoje, é impossível abrir uma revista de negócios e não se deparar com uma ou mais matérias sobre o assunto. Ponto para as mulheres, diria você parafraseando aqueles programas de auditório dominicais entre equipes de sexo oposto. Engano. Ponto para ambos os times, pois este espaço não foi ocupado apenas pelo esforço, talento e resiliência do até então dito sexo frágil. E sim pelo entendimento crescente de que temos aptidões complementares e existe espaço para todos.

Claro que ainda falta muita coisa. Ainda temos uma remuneração menor para as mulheres e comportamentos jurrássicos, como o assédio moral e sexual, ainda existem aos borbotões. Mas é nítido que a participação feminina no mercado corporativo é bem maior e mais alentadora do que em outros campos, como a política.

Segundo a ONU, o Brasil ocupa uma das últimas posições no ranking mundial de representação feminina nos parlamentos e nas esferas de governo. Representamos 52,13% dos eleitores aptos a votar nas eleições de 2016 em todo o país e, mesmo assim, as mulheres ocupam menos de 10% das cadeiras na Câmara Municipal de Porto Alegre, só para citar um exemplo perto da gente.

Em 1932, depois de muita luta, conquistamos o direito ao voto. Mais de 80 anos depois, penamos para conquistar o direito de sermos votadas. Parte porque a sociedade ainda é machista no que se refere a poder. Parte porque a participação feminina ainda é pífia nos quadros partidários e nos pleitos eleitorais. Para se ter uma ideia, os partidos têm dificuldade de preencher a cota de 30% obrigatória para candidatas mulheres.

Onde tu estás, mulher? Tu que há muito tempo é chefe de família, líder comunitária, esteio de muitos. Precisamos da tua garra e da tua sensibilidade. Neste momento de depuração ética, no qual os bem intencionados precisam ocupar o espaço dos corruptos e nefastos personagens da política nacional, abre-se uma porta para a efetiva participação feminina. Não aquela porta do carro, da casa e do restaurante, que a cortesia social sugere ser aberta pelos homens em sinal de educação. E sim a porta do teu destino de protagonista, mulher. Esta nós teremos o orgulho de abrir sozinhas, com a nossa própria força e destemor.

E ao pronunciar a palavra da moda, jamais esqueça: empoderamento vem de poder. E o poder não pode abrir mão da gente.


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